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terça-feira, 29 de maio de 2012

COMO COLAR ROMPIDO


Trago nos lábios ainda o toque
Da tua pele ouriçada,
O calor do sangue desejoso,
Para a entranha abrasada,
  
Olhar predizendo o gozo liberado
Que te ejeta incontido.
Desejos que são como pérolas,
Que fogem do colar rompido...

Quereres penetrando em mim
Como veneno letal,
O chão se reveste de nada,
Tudo torna sideral,

A matéria dos suspiros enchem o vazio!
Prazer impulsivo, insensata dileção!
É a voz urgente do teu corpo,
Implorando as garras vorazes da minha paixão.

Alucinantes  gemidos penetram os ouvidos,
Aflorando meus desejos de fêmea (re)conquistada,
O martírio dos toques, escorrendo dos teus dedos...
Síntese de toda intensidade, fluída e descarregada.

                                               Marly Bastos

segunda-feira, 28 de maio de 2012

SONHO DE SONHADOR


Há tantas histórias guardadas
Que a consciência descobre,
Nos sonhos das madrugadas.

O sonho é vida adormecida,
Vontades e desejos secretos
De uma história comprida.

São tantos sonhos pequenos
Pesadelos ou soninhos serenos...
De saudades, de desejos,
De momentos de cortejos!

Pequena também é a noite,
Para o sonho de amor,
É nele que se esconde,
A fantasia do sonhador.

O sonho traz a alegria,
Que nos nega a realidade fria.
E no coração burilado
É preso o verso emocionado,
Não deixando que ele derrame,
O sabor adocicado.

O sonho é um laço,
Onde a vida faz embaraço
Onde o amor dá um abraço,
Apertando a poesia,
Cutucando sentimentos
Que a saudade irradia!

Marly Bastos

quinta-feira, 24 de maio de 2012

NUM PISCAR DE OLHOS...


Meu Deus, num piscar de olhos e estou chegando à meia idade!  Cadê todos esses anos que vivi e nem percebi? Hoje acordei com essa sensação de que dormi menina e acordei mulher. Ainda tenho dentro de mim uma adolescente insatisfeita com a vida, cheia de dúvidas, de sonhos e com a íris ainda cor de rosa.
Lembro de um filme que assisti a bastante tempo (“De repente 30”), sobre uma adolescente que queria crescer rápido, pois achava a sua vida sem graça, chata e aborrecida, ganhou de aniversário uma casinha mágica, fez o pedido para ser adulta logo [aí caiu da casinha um pozinho mágico em cima dela], deitou, dormiu adolescente e acordou com 30 anos, sem saber como tinha passado esse tempo e ainda atordoada teve que se adequar à nova vida, lidar com as responsabilidades que o crescimento traz.
Acordei como a “Jenna”, achando que ainda sou muito jovem pra essa carga às vezes tão pesada, chamada amadurecimento. Cadê meus 20 anos? Cadê minha era Balzaquiana? Cadê a loba que passou por mim? Procurei todas elas dentro de mim e descobri maravilhada que ainda estão todas aqui como se estivessem esperando para participar de uma festa. A menina sapeca, a adolescente complicada, a balzaquiana sexy e a loba madura... E todas elas formam a mulher perplexa diante dos anos passados!
Meus filhos adultos não deixam os anos passados mentirem. Mas parece que foi ontem minha formatura no ensino médio, a alegria de passar no vestibular, a apreensão do primeiro emprego, meu primeiro beijo, o primeiro namorado, o enlace matrimonial, a emoção da maternidade, e tantas outras alegrias e dores... Ainda lembro de certos detalhes como se fossem ontem [e já faz mais de 30 anos]. Será que algum pozinho mágico caiu na minha cabeça e pulei algumas fases?
Agora, se “puxo” pela memória, posso dizer que vi muitas coisas acontecer nesse Brasilzão de meu Deus, ajudei de alguma forma a construir histórias e a formar cidadãos. Lembro que quando começou a era digital, eu ainda dizia “datilografar no computador”[vexamentoso, mas real]. E confesso que tive medo de navegar por esse mundo mágico da internet.
Nesses anos que nem vi passar, aprendi muitas coisas e sou aberta ao novo, ao moderno e ao que possa me engrandecer. E sempre refuguei qualquer tipo de coisa que pudesse me aprisionar ou ser contrário ao meu lindo ser [eu me amo rsrsrs]. Passei pela geração do lança-perfume e nunca senti o cheiro dele; passei pela geração da maconha e nunca sucumbi a ela;  passei pela geração em que era “cool” fumar e beber, e eu nunca me interessei por esses vícios; estou na geração do crack e sinto uma revolta danada ao ver jovens perdendo suas vidas por causa da ganância de homens sem humanidade e escrúpulos. Mas, daquilo que me preservei, parece que banalizou entre essa nova geração. Digo isso porque por esses dias ouvi um comentário assim: “Véi, minha mãe me racha a cara de vergonha, disse que nunca fumou maconha, nunca ficou loucona com lança perfume e nem tomou um porre pra cair, como vou contar isso pros meus filhos?”[Sei que era pra ser piada, mas dizem que toda piada tem uma pitada de verdade] Nesse caso, eu também sou uma vergonha...
Quando eu era menina, olhava no espelho e me imagina com minha idade, e essa imaginação era de uma mulher velha, enrugadinha e já com as mãos entrelaçadas esperando cair mortinha e pronta pro paraíso. E hoje me olho no espelho e me vejo menina cheia de sonhos, cheia de vida, romântica e ainda achando que a vida dura um século![E nem tão acabadinha assim... rsrs]
                           Marly Bastos


domingo, 20 de maio de 2012

HORAS DO RELÓGIO VISCERAL


Estou fragmentada... Nesse relógio visceral estou como as horas incertas do marasmo...
A tarde chegou com todo seu afeto vespertino. Eu na varanda preguiçosamente em uma rede podia ouvir o sussurrar do vento, fazendo melodia com o farfalhar das folhas secas que rolavam pelo chão e o balançar da samambaia numa dança calma e terna, suspensa em correntes por sobre a minha cabeça.
Via no esteio uma fileira de formigas carregando pedacinhos de folhas de alguma planta do jardim [ladras!] e algumas abelhas zunindo e sugando o néctar das flores que enfeitavam o espaço em volta.
Tudo perfeito! Mas, algo me corroia por dentro. Uma inquietação absurda que ia estreitando minha alma. Excedo-me cada vez que penso em você e nessa sua mania de brincar com meus sentimentos.
 Deixei-me aquietar, fechei os olhos e comecei a escrever na memória parágrafos sem nada... Fiz questionamentos sem respostas, e busquei lembranças de acontecimentos que trilharam minha vida. Faz tempo...
Perdendo-me nesse vago, nessa grande dimensão que são nossas lembranças, nossos desejos, nossos sentimentos e nossos sonhos, notei que tudo é ilusão, que tudo foi apenas poeira de um redemoinho que alvoroçou meus quereres de mulher.
Vou deixar passivamente que borboletas pousem nos trincos da porta do meu coração, que fiquem como guardiãs dos meus sonhos não consagrados, pois lá fora está uma aurora cinza, mas ainda assim, é uma aurora e a qualquer momento, minha tristeza sai do casulo e vai pousar no ocaso...

                                                     Marly Bastos

quinta-feira, 17 de maio de 2012

LINGERIE DE MÃE É ASSIM???!!! [Só pra desopilar, ando com os nervos à flor da pele]

  Andando pelo shopping com meu filho, ele pergunta:


-Mãe, o que você quer de presente do Dia das Mães?


-Nada filho, você e sua irmã é meu melhor presente! [Caô de mãe...]


-Ah mãe, eu quero te dar um presentinho, mas tem que ser somente uma lembrancinha...   Escolhe alguma coisa numa loja de departamento [Opção: Riachuelo, C&A, Renner, Marisa...]


-Ãhmmm... Está bem, eu quero um conjunto de lingerie bem bonita e básica tá bom? Escolhe uma nessa loja...


Ele entrou e começou a olhar os conjuntos. Meus olhinhos brilharam vendo algumas lingeries lindas, sexys, e dentro delas eu ia me sentir poderosa [e pronta pra matar rsrsrsrs]. Fiquei mais distante pra não interferir na escolha dele, mas torcendo para ele escolher alguma que eu estava quicando de vontade de ter...
Escolheu, escolheu e me apontou a  sua eleita.


-Essa é básica e "lingerie de mãe"[isso significa grande e beeege] – É essa que eu vou comprar pra você mamãe e com muito carinho!


-Você está brincando né? Não uso isso nem morta! Têm tantas bonitas por aqui...[Fiquei parecendo cachorro quando perde o osso.]

-Mas essa é a única que eu consigo imaginar minha mãe vestindo! Tamanho perfeito e cor básica... [Machista de uma figa!]

-E eu só vejo MINHA MÃE usando isso e não EU!

-Quer dizer que é perfeita pra sua mãe usar, pra minha não né??

-Ahhh... Eu posso trocar a lingerie por um par de meia?...

-Claro princesa! Que tal  essas soquetes com florzinhas?

[what? Eu sou a mãe ou filha? Soquetes de florzinhas? Usava quando eu tinha uns 10 anos... Aff!]

-Não... Estava pensando numa MEIA 7/8  com cinta-liga...

[Fui arrastada pra fora da loja...]

-Melhor alguma coisinha do Boticário mesmo mãe... Vamos lá!
 PS: O perfume é bem melhor do que aquela" tarrafa de pegar baleia" que ele queria me dar!

Marly Bastos

segunda-feira, 14 de maio de 2012

GAVETA ADORMECIDA DO TEMPO.


O vento bafeja quente na pele.
O céu ruborizado... Por qual razão?
Um sol amarelado ainda arde no horizonte.
As unhas más da saudade, cravam no coração,
Lembranças ferrenhas deslancham dentro de mim,
Abre a gaveta adormecida do tempo, nesse instante
A recordação se vê livre e voa! Torno escrava do passado!

[Nossos corpos nus deixam marcas na areia,
Gemidos arrancados pegam carona com a brisa.
 Beijos molhados pede alforria nas ondas rítmicas.
Nossas digitais ficam marcadas nas algas indiscretas,
Visgos dos corpos excitados, lambuzam de mel o mar.
O calor das nossas peles se mesclam e a loucura vagueia.
Nesse instante, fizemos nosso castelo de sonhos... De areia!]

O destino zomba da alegria...
Desmoronado, enfim nosso castelo!
Olhos que choram e traduzem dor incurável,
Diante do cenário de longos e frenéticos momentos,
Embebedando de dor, recordações tão distantes e queridas!
Tarde linda... Nela, tristeza vira canção e da lágrima cai poesia.

Marly Bastos

sexta-feira, 11 de maio de 2012

DÁDIVA DA MATERNIDADE!


O sonho de quase todas as mulheres: Ser mãe!
Casei bem jovem e por causa do meu marido já na casa dos 40 anos, queríamos filhos logo. Mas, os filhos não vinham... Sonhávamos com esse rebento dia e noite.
Um dia estava na fazenda de meu pai e comecei a olhar o gado no curral na hora do aparte das vacas e seus bezerros. Comecei a questionar o meu Deus: “Senhor, as vacas tem seus bezerros, as éguas seus potrinhos, a gata tem 6 gatinhos, a cadela um monte de cachorrinhos e eu nenhum... Quantas mulheres tu tens aberto a madre e elas desprezam seus filhos, outras os dão para qualquer sorte, outras lutam para abortá-los, e eu apenas quero um. Um me bastaria. Meu lamento Deus, não é de uma mãe, mas de uma mulher com madre infértil e que acredita que tu és Deus para torná-la abençoada para gerar um rebento sequer e formar uma família.” O resto da oração era apenas lágrimas caladas e quentes. Mas creio que o Espírito Santo de Deus traduz os nossos gemidos inexprimíveis e recolhe nossas lágrimas e as deposita junto ao Trono da Graça...
Descobri que estava grávida e pra mim foi uma das maiores emoções que tive na vida. Um ser dentro de mim! Logo visualizei na minha imaginação o jeitinho dela (uma menina) e o nome seria Lídia! Lídia já tinha 5 meses de gestação, grande e forte,  até que houve deslocamento da placenta, um parto prematuro e o bebê nasceu morto. Impossível esquecer... Impossível não chorar quando tenho que revirar meu bauzinho da vida.
Depois desse trauma eu parei de pensar em filhos. E cinco meses depois estava grávida de novo e veio talvez porque eu psicologicamente estivesse mais relaxada em relação a isso. Foi uma gestação complicada, com a pressão nas alturas e quando o bebe estava forte o suficiente para nascer foi retirado, pois eu estava com quadro de pré-eclampsia. Um lindo bebe com bochechas róseas, olhos azuis e loirinho. Apaixonei-me incondicionalmente por ele, e para sempre. Nesse dia descobri o que é ter o coração fora do corpo.
A vida seguia normal e eu cuidando do meu pimpolho entre erros e acertos,como toda mãe de primeira viagem, limpando bumbum e amamentando... E quando ele estava com 5 meses descobri que estava grávida de 3 meses... Dessa vez chorei de desespero, por medo de não conseguir cuidar de dois bebes. Foi quase outro parto no 5° mês, mas Deus em sua infinita bondade sustentou o bebê no meu ventre até o fim. Tomei tanto relaxante (para evitar constrações) que precisei fazer o exame da retirada do líquido amniótico para saber se o bebe estava pronto pra nascer (já que meu útero nao teria contrações para ajudar no parto), e o médico por um azar perfurou a placenta, sendo necessário uma cesáriana de urgência (de novo me senti sozinha sem meu marido e minha mãe por perto e não deu pra segurar um choro convulsivo). Fui sedada assim que cortaram o cordão umbilical,  pois eu não conseguia parar de chorar, porém antes o médico me garantiu que ela tinha os 5 dedinhos (Então é perfeita....Pensei antes de apagar). E veio uma linda menina, morena e de traços clássicos (perdoem-me a corujice)! Não podia ser outra mesmo, tinha que ser ela. Deus não erra jamais!
Agora eram dois bebês, um com 11 meses e outro recém nascido. Tornei-me a mulher polvo! Tinha que ter braços para os dois, carregar bag-baby dupla, as chupetas, os babadouros, o “mordedor” da menina, carrinho do mais velho, minha bolsa (isso passou a ser secundário), mamadeira de leite, de suco, de água... Ufa! Haja braço, mas eu tinha todos que eram necessários.
“Ser mãe é padecer no paraíso!” Entendi o que queria dizer isso. Noites sem dormir velando a febre de um, sendo solidária no “nervosismo” do nascimento dos primeiros dentes do outro”, vibrando quando começaram a sentar sozinhos, a dar os primeiros passinhos. Ah! Ovulei quando ouvi as primeiras palavras que eles pronunciaram. O primeiro dia de escola, senti-me enciumada porque eles não se desesperaram por terem que ficar ali sem mim... [Como assim? Eles existem sem a minha presença? Descobri que existiam].
Eu que sempre gostei de “parecer sofisticada”, descobri que essa imagem não combina com o ser mãe. Saia com eles, maquiada, bem vestida, nos saltos e chique. Voltava vomitada, suja de ketchup, coca-cola, com os cabelos duros de doces e na melhor das hipóteses toda amarrotada. Saltos? Abandonei-os, pois acabavam com meus pés de tanto correr atrás dos pequenos. E se ouvia a palavra “mamãe” sai desesperada para saber o que estaria acontecendo com minhas crias.
Quando temos a experiência da maternidade, descobrimos que nossa vida vale muito pouco em relação a deles, pois a sacrificamos para os poupar e ao mesmo tempo queremos a longevidade de dias para vê-los realizados.
Cada etapa que eles vencem, nos tornamos vencedoras juntas.  A formatura do Jardim de Infância, os primeiros desenhos que eles fazem e que você guarda pra sempre; o primeiro dente que “cai”(mandei encastoar com ouro, mas foram roubados...); o primeiro amor e a primeira decepção amorosa que compartilham deitados no nosso colo; a carteira de habilitação(e o seu carro detonado pelos novos motoristas); as noites insones enquanto eles estão na balada; a aprovação no vestibular... Espero ainda a formatura dos dois, o casamento, os netos, para que se renovem as emoções desse maravilhoso ciclo da vida.
Enfim, ser mãe é dádiva de Deus e o maior milagre da humanidade.

PS: E depois de ser mãe, aprendi a amar ainda mais minha progenitora. Descobri que não foi nada fácil ser minha mãe, pois eu dava nó em goteira, era (passado...) teimosa, birrenta, questionadora, respondona... Não era florzinha de se cheirar não! Obrigada mamãe por ter me suportado... Sei que isso só foi possível, por causa desse imensurável amor que Deus te deu mãezinha [caso contrário eu não teria “vingado”.]

Feliz dia das mães a todas minhas parceiras e amigas!
                               Marly Bastos