O sonho de quase todas as mulheres: Ser mãe!
Casei bem jovem e por causa do meu marido já na casa dos 40 anos, queríamos filhos logo. Mas, os filhos não vinham... Sonhávamos com esse rebento dia e noite.
Um dia estava na fazenda de meu pai e comecei a olhar o gado no curral na hora do aparte das vacas e seus bezerros. Comecei a questionar o meu Deus: “Senhor, as vacas tem seus bezerros, as éguas seus potrinhos, a gata tem 6 gatinhos, a cadela um monte de cachorrinhos e eu nenhum... Quantas mulheres tu tens aberto a madre e elas desprezam seus filhos, outras os dão para qualquer sorte, outras lutam para abortá-los, e eu apenas quero um. Um me bastaria. Meu lamento Deus, não é de uma mãe, mas de uma mulher com madre infértil e que acredita que tu és Deus para torná-la abençoada para gerar um rebento sequer e formar uma família.” O resto da oração era apenas lágrimas caladas e quentes. Mas creio que o Espírito Santo de Deus traduz os nossos gemidos inexprimíveis e recolhe nossas lágrimas e as deposita junto ao Trono da Graça...
Descobri que estava grávida e pra mim foi uma das maiores emoções que tive na vida. Um ser dentro de mim! Logo visualizei na minha imaginação o jeitinho dela (uma menina) e o nome seria Lídia! Lídia já tinha 5 meses de gestação, grande e forte, até que houve deslocamento da placenta, um parto prematuro e o bebê nasceu morto. Impossível esquecer... Impossível não chorar quando tenho que revirar meu bauzinho da vida.
Depois desse trauma eu parei de pensar em filhos. E cinco meses depois estava grávida de novo e veio talvez porque eu psicologicamente estivesse mais relaxada em relação a isso. Foi uma gestação complicada, com a pressão nas alturas e quando o bebe estava forte o suficiente para nascer foi retirado, pois eu estava com quadro de pré-eclampsia. Um lindo bebe com bochechas róseas, olhos azuis e loirinho. Apaixonei-me incondicionalmente por ele, e para sempre. Nesse dia descobri o que é ter o coração fora do corpo.
A vida seguia normal e eu cuidando do meu pimpolho entre erros e acertos,como toda mãe de primeira viagem, limpando bumbum e amamentando... E quando ele estava com 5 meses descobri que estava grávida de 3 meses... Dessa vez chorei de desespero, por medo de não conseguir cuidar de dois bebes. Foi quase outro parto no 5° mês, mas Deus em sua infinita bondade sustentou o bebê no meu ventre até o fim. Tomei tanto relaxante (para evitar constrações) que precisei fazer o exame da retirada do líquido amniótico para saber se o bebe estava pronto pra nascer (já que meu útero nao teria contrações para ajudar no parto), e o médico por um azar perfurou a placenta, sendo necessário uma cesáriana de urgência (de novo me senti sozinha sem meu marido e minha mãe por perto e não deu pra segurar um choro convulsivo). Fui sedada assim que cortaram o cordão umbilical, pois eu não conseguia parar de chorar, porém antes o médico me garantiu que ela tinha os 5 dedinhos (Então é perfeita....Pensei antes de apagar). E veio uma linda menina, morena e de traços clássicos (perdoem-me a corujice)! Não podia ser outra mesmo, tinha que ser ela. Deus não erra jamais!
Agora eram dois bebês, um com 11 meses e outro recém nascido. Tornei-me a mulher polvo! Tinha que ter braços para os dois, carregar bag-baby dupla, as chupetas, os babadouros, o “mordedor” da menina, carrinho do mais velho, minha bolsa (isso passou a ser secundário), mamadeira de leite, de suco, de água... Ufa! Haja braço, mas eu tinha todos que eram necessários.
“Ser mãe é padecer no paraíso!” Entendi o que queria dizer isso. Noites sem dormir velando a febre de um, sendo solidária no “nervosismo” do nascimento dos primeiros dentes do outro”, vibrando quando começaram a sentar sozinhos, a dar os primeiros passinhos. Ah! Ovulei quando ouvi as primeiras palavras que eles pronunciaram. O primeiro dia de escola, senti-me enciumada porque eles não se desesperaram por terem que ficar ali sem mim... [Como assim? Eles existem sem a minha presença? Descobri que existiam].
Eu que sempre gostei de “parecer sofisticada”, descobri que essa imagem não combina com o ser mãe. Saia com eles, maquiada, bem vestida, nos saltos e chique. Voltava vomitada, suja de ketchup, coca-cola, com os cabelos duros de doces e na melhor das hipóteses toda amarrotada. Saltos? Abandonei-os, pois acabavam com meus pés de tanto correr atrás dos pequenos. E se ouvia a palavra “mamãe” sai desesperada para saber o que estaria acontecendo com minhas crias.
Quando temos a experiência da maternidade, descobrimos que nossa vida vale muito pouco em relação a deles, pois a sacrificamos para os poupar e ao mesmo tempo queremos a longevidade de dias para vê-los realizados.
Cada etapa que eles vencem, nos tornamos vencedoras juntas. A formatura do Jardim de Infância, os primeiros desenhos que eles fazem e que você guarda pra sempre; o primeiro dente que “cai”(mandei encastoar com ouro, mas foram roubados...); o primeiro amor e a primeira decepção amorosa que compartilham deitados no nosso colo; a carteira de habilitação(e o seu carro detonado pelos novos motoristas); as noites insones enquanto eles estão na balada; a aprovação no vestibular... Espero ainda a formatura dos dois, o casamento, os netos, para que se renovem as emoções desse maravilhoso ciclo da vida.
Enfim, ser mãe é dádiva de Deus e o maior milagre da humanidade.
PS: E depois de ser mãe, aprendi a amar ainda mais minha progenitora. Descobri que não foi nada fácil ser minha mãe, pois eu dava nó em goteira, era (passado...) teimosa, birrenta, questionadora, respondona... Não era florzinha de se cheirar não! Obrigada mamãe por ter me suportado... Sei que isso só foi possível, por causa desse imensurável amor que Deus te deu mãezinha [caso contrário eu não teria “vingado”.]
Feliz dia das mães a todas minhas parceiras e amigas!
Marly Bastos